AFVR: Rescaldo da 11.ª Jornada da Divisão de Honra

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A 11.ª jornada da Divisão de Honra da AF Vila Real trouxe um domingo marcado por fortes emoções, rivalidades antigas, duelos de enorme intensidade e resultados que começam a desenhar, com maior nitidez, a disputa pelas posições cimeiras.

Num campeonato tradicionalmente competitivo, a ronda de 16 de novembro ficou assinalada por triunfos importantes no topo, momentos individuais de grande simbolismo e partidas em que o equilíbrio foi quebrado apenas nos detalhes. O Montalegre voltou a confirmar o estatuto de líder imaculado, o Régua respondeu com autoridade, o Valpaços manteve o ritmo de quem não abdica de lutar pelos lugares superiores, enquanto Vila Pouca, Santa Marta, Mesão Frio e Atei assinalaram vitórias que prometem influenciar o que está por vir. No sentido oposto, algumas equipas viram dificuldades acentuar-se, como o Fontelas, que continua sem pontuar, ou o Abambres, que voltou a sair derrotado.

Ora, o grande destaque ofensivo da jornada veio do Estádio Artur Vasques Osório, onde o Régua goleou o Cumieira por 5–0 e reafirmou a candidatura a um campeonato de topo. A formação reguense apresentou uma exibição sólida, dominadora e eficaz, impondo um ritmo que o adversário nunca conseguiu acompanhar. João Nuno esteve em foco ao assinar dois golos que deram expressão inicial à superioridade local.

O jogo ficou, porém, marcado por um momento muito mais profundo do que o simples resultado: o terceiro golo, apontado pelo avançado brasileiro Gabriel, transformou-se numa homenagem pública ao pai recentemente falecido. O jogador, claramente emocionado, caiu de joelhos após marcar, levantou o olhar para o céu e recebeu de imediato o abraço solidário dos colegas, num estádio que soube reconhecer a carga humana daquele instante. Wiltord e Diogo Paixão fecharam a contagem, num triunfo que permite ao Régua somar 27 pontos, mantendo a perseguição direta ao Montalegre e confirmando que a equipa atravessa uma das fases mais consistentes da época.

Mas o jogo mais aguardado da ronda estava mais a norte, num relvado curto e pesado, onde Vilar de Perdizes e Montalegre reeditaram uma das rivalidades mais intensas do futebol barrosão. Foi um encontro disputado ao limite, duro, cheio de duelos físicos e momentos de grande entrega, com a chuva a reforçar a noção de que a luta seria, sobretudo, pela capacidade de resistir. O Montalegre, que ainda não consentiu golos na temporada e só conhece vitórias, sentiu dificuldades em adaptar-se ao terreno e ao ímpeto inicial do rival.

O Vilar de Perdizes entrou firme, pressionou alto, foi agressivo sobre o portador da bola e conseguiu, durante largos períodos, empurrar o líder para zonas incómodas. As oportunidades sucederam-se sobretudo para a equipa da casa: aos 16 minutos, Nené desequilibrou pela direita e obrigou Alisson a cortar para canto; pouco depois, Xavi cobrou um livre tenso que levou Bernardo a testar os reflexos do guarda-redes Dany; a mais flagrante surgiu à meia hora, quando Edu Paiva apareceu isolado e atirou ao lado. O futebol, porém, não perdoa hesitações e, já muito perto do intervalo, aos 45 minutos, Tomás Castelo assinou um remate seco, violento e colocado, um golo de execução tão pura que silenciou a bancada por segundos antes de a fazer erguer-se em admiração. O intervalo chegou com o Montalegre a vencer por 1–0, contrariando a tendência de jogo.

A segunda parte devolveu um Vilar de Perdizes determinado a mudar o rumo dos acontecimentos. Hudson esteve perto do empate logo nos instantes iniciais, mas falhou o alvo e acertou na malha lateral. O Montalegre respondeu com esforço e, por momentos, conseguiu impor maior tranquilidade. Mesquita ficou muito perto do segundo golo, num remate forte que desviou num adversário e embateu com estrondo na trave. O jogo intensificou-se no último quarto de hora e os locais voltaram a rondar o empate em dois lances consecutivos: um canto muito fechado aos 77 minutos, que inquietou toda a defensiva contrária, e um remate de Hudson aos 80’, novamente defendido para canto por Dany, que se afirmou como um dos nomes mais importantes na vitória final.

O apito final deu forma a uma das vitórias mais suadas do Montalegre nesta época, que reforça a liderança destacada com 30 pontos e prolonga uma série absolutamente inédita — a de ser a única equipa em Portugal a somar apenas vitórias e nenhum golo sofrido. Já o Vilar de Perdizes, que criou o triplo das oportunidades do adversário, pagou caro a falta de eficácia e acaba por perder posições na tabela, apesar da excelente exibição.

A partida terminou, ainda, envolta em tensão adicional, com empurrões entre elementos das duas equipas após o apito do árbitro, num cenário rapidamente dissipado pela intervenção de colegas e delegados. O muito público presente, indiferente à chuva e ao frio, reforçou a atmosfera típica de um dérbi barrosão.

Também muito competitivo foi o duelo entre Mondinense e Vidago, que terminou em 0–0 após uma tarde de equilíbrio tático e muita disputa pelo controlo do meio-campo. Foi um daqueles jogos em que o primeiro golo, caso surgisse, alteraria por completo o rumo da partida, mas a solidez das defesas prevaleceu e nenhuma equipa encontrou forma de desbloquear o marcador. O ponto conquistado permite ao Vidago manter-se no pódio, com 23 pontos, enquanto o Mondinense segue logo atrás, com 20, embora já com mais um jogo realizado do que vários adversários diretos.

Em Pedras Salgadas, a formação local voltou a sentir dificuldades diante de um Atei mais determinado e eficaz no último terço. O encontro terminou 1–2, com Jorge Jesus a marcar para os visitados, enquanto Gois e Cardoso assinaram os golos que garantiram três pontos preciosos para o Atei. Com este triunfo, a equipa atinge os 10 pontos, igualando Cumieira e relançando-se na luta pelo meio da tabela. O Juv. Pedras Salgadas permanece com 9 pontos, ainda em fase de procura de maior estabilidade competitiva.

Em Mesão Frio, a equipa da casa conquistou uma vitória importante por 1–0 frente ao Constantim. Francisco Santos marcou o único golo da tarde, num jogo de luta constante, onde o rigor defensivo e a paciência na construção foram determinantes. O Mesão Frio sobe para 18 pontos, aproximando-se dos lugares cimeiros, enquanto o Constantim, apesar de ter procurado contrariar o rumo dos acontecimentos, continua com 6 pontos, num bloco de quatro equipas que partilham exatamente a mesma soma.

Em Santa Marta, a equipa local venceu o Fontelas por 2–0, com golos de Dani Mota e Jaime. Foi uma exibição segura, controlada e sem sobressaltos para a formação penaguiota, que chegou aos 17 pontos e reforça o conforto na tabela. O Fontelas, por sua vez, continua a viver uma época extremamente complicada, permanecendo sem qualquer ponto ao fim de dez jogos, num cenário que se tem repetido jornada após jornada.

O jogo mais frenético da tarde aconteceu em Abambres, onde a formação da casa perdeu por 2–3 com o Valpaços numa partida cheia de golos, alternâncias emocionais e ritmo intenso. Hugo e Francisco Pinto marcaram para os locais, mas a resposta do Valpaços acabou por ser mais eficaz, graças aos tentos de Betinho e a uma dupla assinatura de Tomás, que voltou a revelar capacidade para decidir. A vitória coloca, por isso, o Valpaços nos 21 pontos, dentro do grupo que ambiciona aproximar-se dos primeiros lugares.

A jornada encerrou com o triunfo do Vila Pouca por 2–0 sobre o Cerva, com Tiago Reis a abrir o marcador e Moreira a ampliar. A formação aguiarense sobe, assim, para os 21 pontos, igualando o Valpaços e consolidando um bloco competitivo que segue muito próximo do pódio. O Cerva, com 6 pontos, permanece num dos lugares mais delicados da tabela.

Com estes resultados, a classificação apresenta-se assim: Montalegre lidera com 30 pontos em 10 jogos, seguido pelo Régua com 27 e pelo Vidago com 23. Valpaços e Vila Pouca somam 21, Mondinense tem 20, Vilar de Perdizes e Mesão Frio seguem com 18, Santa Marta com 17. No bloco mais abaixo, Cumieira tem 10, Atei também 10, Pedras Salgadas 9, Sabroso 6 em apenas 9 jogos, assim como Cerva, Constantim e Abambres — todos com 6 — e o Fontelas continua sem pontos ao fim de dez jornadas disputadas.

Deste modo, a jornada deixou sinais claros: o Montalegre continua intocável; o Régua está em crescendo e com profundidade emocional no grupo; Vidago mantém consistência; Valpaços e Vila Pouca não largam o comboio da frente; e, na zona inferior, vários clubes procuram ainda uma janela de estabilidade.

A Divisão de Honra segue acesa, imprevisível e repleta de histórias, e a 12.ª jornada promete, mais uma vez, mexer com todos os equilíbrios.

Por Raúl Saraiva