Histórico elemento do departamento médico critica forma “fria e indiferente” como foi afastado do GD Chaves
Gualter Rodrigues recorreu às redes sociais para se despedir do GD Chaves, após quase quatro décadas de ligação ao clube, deixando um testemunho marcado pela emoção e pela mágoa quanto à forma como terminou a sua ligação.
Numa extensa publicação, o enfermeiro recorda o percurso iniciado em 1987, nas camadas jovens, pouco depois de se ter mudado para a cidade de Chaves. Ao longo dos anos, construiu uma ligação profunda ao emblema flaviense, primeiro conciliando funções com o trabalho hospitalar e, desde 2013, em regime de exclusividade.
“Foi casa. Foi rotina. Foi família”, escreveu, sublinhando que o clube ultrapassou há muito a dimensão profissional, tornando-se parte central da sua vida. Gualter Rodrigues destacou ainda os sacrifícios feitos ao longo dos anos, desde longos dias de trabalho até ao impacto na vida pessoal, sempre em nome da dedicação ao Desportivo.
Contudo, a despedida ficou marcada por um sentimento de desilusão. O histórico elemento do departamento médico lamenta que “quatro décadas de dedicação” tenham sido encerradas “em escassos minutos”, classificando o processo como “frio e indiferente”. A decisão, justificada pela SAD como uma “reestruturação”, é vista como desprovida do respeito que considera merecido.
Apesar da mágoa, Gualter Rodrigues fez questão de separar o clube das decisões da sua administração, afirmando que o Desportivo “é muito maior do que qualquer direção” e enaltecendo o papel dos adeptos, da cidade e de todos os que fazem parte da identidade flaviense.
Na mensagem, deixa ainda um agradecimento a todos aqueles com quem se cruzou ao longo dos 39 anos de ligação, recordando o balneário como “um lugar sagrado de união” e reforçando o sentimento de pertença que nunca desaparecerá.
“Podem fechar-me a porta, mas não me tiram aquilo que vivi neste clube. Não me tiram a história. Não me tiram o Desportivo do coração”, escreveu, concluindo com uma afirmação de identidade: “Fui, sou e serei sempre um Valente Transmontano.”