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O pai (inquieto)

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Não consegue ficar parado.

Caminha de um lado para o outro junto à linha do campo, como se estivesse de serviço numa vigia noturna.

A cada passe falhado abre os braços.

A cada golo sofrido levanta os olhos ao céu.

E quando o árbitro decide algo que, para ele, não faz sentido… as palavras saem mais depressa do que deviam.

Não é maldade.

Não é falta de respeito.

É emoção a mais.

Vive cada jogo como se fosse decisivo.

Senta-se, levanta-se, muda de lugar, volta a sentar-se.

Passa as mãos pelo cabelo, deixa cair a garrafa, tudo.

Quanto mais tempo o filho está em campo, mais a tensão cresce dentro dele — como uma panela de pressão.

“PASSA A BOLA!”

“REMATA!”

“Ó MISTER, NÃO O TROCA?”

Às vezes zanga-se com o árbitro.

Outras com os adversários.

E, inevitavelmente, também com o próprio filho.

— Então? O treinador disse-te para entrar com bola pela baliza dentro?!

O filho olha para ele.

Por vezes sorri, um pouco envergonhado.

Mas o pai nem sempre percebe.

E, no entanto, quando o jogo acaba… tudo muda.

Se correu bem, relaxa num instante.

A tensão desaparece e surge o conselheiro:

— Boa! Mas para a próxima tens de ser mais decidido na frente da baliza.

Se correu mal, fica de mau humor durante algum tempo.

É melhor deixá-lo acalmar.

Porque, no fundo, por trás de cada grito e de cada protesto, há apenas uma coisa:

Um pai que quer muito que o filho consiga.

Que não falhe.

Que se sinta seguro.

Que seja feliz em campo.

Ele sabe que às vezes exagera.

Até o admite.

Mas costuma dizer, meio a sorrir:

— Eu sei que me agito…

mas quando distribuíram o autocontrolo, eu devia estar no café a discutir táticas.

Vítor Santos (Embaixador do Plano Nacional de Ética no Desporto)