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Não é facil

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Aposta convicta na formação surge como o caminho mais sensato para garantir a sustentabilidade de um clube, especialmente no contexto do futebol português. No entanto, esta é uma via complexa, onde a pressão constante e s exigência dos adeptos nos grandes clubes condicionam frequentemente as decisões da estrutura e obrigam a alterar o que estava planeado.

Para vencer, tanto internamente como nas competições europeias, torna-se necessário encontrar um equilíbrio delicado entre a irreverência dos jovens talentos e a qualidade superlativa das contratações estrangeiras. No Benfica actual, este dilema é particularmente evidente.

José Mourinho tem acompanhado de perto o talento que brota do Benfica Campus, no Seixal, promovendo vários jovens ao plantel principal e concedendo-lhes minutos de utilização.

Contudo, nota-se uma preocupação clara do treinador em não queimar etapas. O objectivo é evitar precipitações que possam comprometer o crescimento dos atletas ou a competitividade imediata da equipa, assegurando, em paralelo uma gestão eficaz dos egos no balneário.

Embora a visibilidade dada aos jovens demonstre que Mourinho tem a noção do quadro geral do clube, lançar nomes de forma definitiva a meio de uma temporada é sempre uma tarefa ingrata. Para que exista uma aposta efectiva naqueles que estão prontos a dar resposta, parece fundamental o planeamento de uma pré-época completa – algo que Mourinho não teve, por ter entrado apenas em Setembro.

Se olharmos para o passado recente, treinadores como Bruno Lage ou Roger Schmidt deram palco a figuras como João Félix, Florentino Luís, João Neves, João Rego, Tomás Araújo. António Silva ou Gonçalo Ramos. Já Mourinho, desde a sua chegada, chamou Rodrigo Rêgo, Banjaqui, José Neto, Anísio Cabral, Kevin Pinto ou, para o jogo de ontem em Arouca, Miguel Figueiredo, mas ainda de forma pontual.

A verdadeira prova de fogo para esta visão estratégica chegará na temporada 2026/27.
Será nessa altura que o técnico terá a possibilidade de desenhar um plano desde a raiz, potenciando o entusiasmo dos adeptos e o retorno financeiro que só o Seixal garante.

Obviamente, o recrutamento externo continuará a ser vital, mas a realidade financeira exige que jogadores acima dos 20 milhões de euros façam a diferença imediata, mesmo havendo a noção de que os jogadores têm tempos de adaptação e de resposta diferentes.

O risco nas contratações deve, porém, ser minimizado, e também não tapar o espaço de progressão aos miúdos da casa. Apostar na formação e continuar a ganhar não é um desafio fácil, mas se fosse, não estaríamos a falar de futebol profissional, do Benfica ou de José Mourinho.

Por Orlando Fernandes