Mudam -se os tempos mudam-se, até as vontades, mas no fim, nada muda. Os casos e casinhos, as polémicas mais, ou menos, ocas ou as guerras sem quartel foram, são e, pelos vistos, continuarão a ser parte integrante do futebol português: estão no seu sangue e não há remédio à vista para uma cura que torne as gestões mais transparentes ou que limpe o ar poluído que nem as gerações mais recentes de dirigentes parecem capazes de tornar mais respirável – mesmo que tudo indicasse que assim seria, que livre de velhos hábitos que tão mal fizeram ao desporto deste País, algo se alteraria.
A guerra aberta na sucessão de poder na Federação Portuguesa de Futebol é só mais um episódio (grave!) nos muitos que, nas últimas décadas, têm marcado o futebol em Portugal. Fernando Gomes. Ex-líder e atual presidente do Comité Olímpico de Portugal (COP), desmentiu junto das mais de 50 federações de futebol europeias o seu sucesso Pedro Proença, atual dirigente, máximo da FPF que comunicara a todas as mesmas mais de 50 federações que à vista da eleição para o Comité Executivo, tinha o apoio do seu antecessor.
Um desmentido, o de Fernando Gomes, pouco compreensível, perante documento da FPF de finais de janeiro, no qual o organismo referia que “após um período de reflexão, priorizando os interesses superiores do futebol português (…), Fernando Gomes informaram a direção da FPF e o Presidente da Liga da UEFA que indicará como candidato em nome de Portugal, o atual presidente da Liga e vice-presidente da FPF, Pedro Proença”. Uma indicação que surgiu ainda antes das eleições para a presidência da FPF – o que deixava a entender que Gomes apoiava mesmo Proença.
A parte pouco compreensível do desmentido tornado público pelo atual presidente do COP passa primeiro, pelo volte face da sua posição em tão curto espaço de tempo, e segundo, pelo muito que Portugal pode ter a perder e pelo nada que Fernando Gomes tem a ganhar.
A guerra subiu de tom e quando da reunião de emergência da cúpula de Pedro Proença saiu comunicado a pedir audiência urgente com o Governo.
Está o caldo entornado, está o verniz estalado. Do mesmo modo que estalou nas relações institucionais entre FC Porto e Benfica, sobretudo desde a morte de Pinto da Costa e a ausência de condolências oficiais por parte dos grandes de Lisboa. Resultado: os dois jovens presidentes, que prometiam um novo ar, optam pela bafienta guerrinha de lugares nos tribunais, tendo em vista o clássico de domingo.
Orlando Fernandes