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Lugar para todos

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St Juste já foi, outros se seguirão. O Sporting de hoje será seguramente bem diferente daquele que veremos daqui a duas semanas, quando fechar o mercado, sobretudo na defesa. Ontem Rui Borges foi confrontado com a luta, e eventual insatisfação, de dois pontas de lança por um lugar – Harder e Luís Suárez. Mas na defesa o excesso de opções talvez seja mais evidente. E se na frente é frequente os treinadores recorrerem a substituições pera refrescar as equipas, atrás poucos mexem.

 Diomande saiu lesionado frente ao Casa Pia e este domingo deverá ser Debast o substituto, Eduardo Quaresma ainda não jogou. St Juste era a quinta opção para o centro da defesa e não surpreende por isso que tenha decidido ir embora. À direita, Fresneda foi titular nos dois primeiros jogos, entretanto chegou Vagiannidis, é caso para perguntar o que ainda estão Ricardo Esgaio e Diogo Travassos a fazer no plantel. À esquerda, Maxi Araújo, entretanto lesionado, é o dono do lugar, e chegou Ricardo Mangas para lhe fazer concorrência. Mas e Matheus Reis? E Nuno Santos, quando voltar de lesão? E se no ataque Harder e Luís Suárez dividiram a titularidade nos dois primeiros jogos, na ala direita Quenda foi duas vezes suplente – Quenda, indiscutível na época passada, já vendido ao Chelsea por mais de 50 milhões de euros…

 Rui Borges vai dizendo que quando o Sporting começar a jogar de três em três dias, na Champions, todos vão ter oportunidade. Mas tradicionalmente por clubes portugueses rodam muito pouco na principal prova europeia – e mesmo que haja alguma rotação, se forem sempre os mesmos a começar os grandes jogos há enorme potencial de insatisfação.

 Todos os clubes precisam de suplentes, de bons suplentes. O Sporting sabe bem disso, atendendo à onda de lesões e meio da época passada que ajudou a pôr em risco um título que parecia entregue em Outubro. Mas há uma questão de estatuto, de importância em conquistas passadas, que é difícil de ultrapassar. Uma coisa é contratar Kochorashvili, ou Mangas, e deixá-los no banco à espera que se adaptem e conquistem os seus lugares. Outra é ter jogadores fundamentais da conquista do bicampeonato, com os mencionados Debast, Quaresma ou Quenda, a amargar no banco Rui Borges vai ter de ser muito cuidadoso com essa gestão – nos minutos que lhes der mas também na forma como falar deles nas conferências, e pelo menos na segunda está longe de ser convincente.

Orlando Fernandes