O futebol português sempre foi marcado por inúmeros talentos a aparecer em face precoce. De Cristiano Ronaldo a Paulo Futre, passando por Chalana, Quaresma, João Moutinho, Nani ou Hugo Viana, muitos surgiram quando pouco se conhecia deles e se esperava a nível de rendimento a top, mas rapidamente se fixaram nos respetivos planteis principais clubes. Ora, 2024/25 está a registar um fenómeno impressionante de jogadores com menos de 18 anos, ainda juniores, portanto a surgir a bom nível e a destacarem-se nas principais formações da Liga. Estamos, provavelmente a assistir a uma fase histórica e que servirá de memória daqui a vários anos, uma vez que, apesar da formação dos principais clubes portugueses ser habitualmente rica, não é assim tão comum existiram jovens de 17 anos como titulares indiscutíveis e figuras de candidatos crónicos ao título. Já seria surpreendente noutro tipo de clubes, com menor pressão e aspirações, mas neste caso, FC Porto e Sporting estão a mostrar ao mundo o que de melhor se forma em terras lusas. Chamemos-lhes os astros de 17 anos, porque é mesmo isso que eles são. Talentos geracionais, predestinados.
O passado fim-de-semana ficou marcado pelo golaço de Rodrigo Mora na Amoreira. O criativo de 17 anos, natural do Porto, encarna na perfeição o espírito do FC Porto. Na personalidade para assumir, não tremendo com a bola no pé, mesmo numa época adversa, de crítica e dúvidas, com uma rara capacidade para desequilibrar no passe e em aceleração, bem como no remate. Curiosamente, o seu jeito faz lembrar uma figura de Benfica e Sporting, João Vieira Pinto, mas é na Invicta que vai brilhando e, nesta fase parece evidente que Anselmi já não pode prescindir do médio ofensivo. Figura no último Europeu sub-17, onde Portugal atingiu a final (derrota com a Itália), Mora tem tudo para ser um digno sucessor, dos melhores criativos da história do futebol português.
Por outro lado, o Chelsea, que muito tem comprado, decido injectar dinheiro em Alvalade, contratando Geovany Quenda por 52 milhões, em conjunto com Dário Essugo, nédio cedido pelo Sporting ao Las Palmas e já mais velho (20anos). O extremo, que começou a época como ala de Rúben Amorim e já foi chamado, diversas vezes, por Roberto Martinez, soma 45 jogos, com três golos e seis assistências apontadas, e brilhou na Reboleira com um golo de levantar e estádio. Canhoto, esguio, forte no drible e no cruzamento, ainda ficará mais um ano por cá, antes de rumar a Londres, em 2026. Além do talento, impressiona a sua maturidade e competitividade já nesta fase tão precoce da carreira.
Por fim, nota ainda para Eduardo Felicíssimo e João Simões, dois médios também com 17 anos, que têm sido apostas dos Verdes e Brancos e que tornam está geração ainda mais encantadora.
Orlando Fernandes